domingo, 22 de setembro de 2013
Roubei o filho do diabo. Possuída que estava a mascarada. Pariu um bezerrão sonso e se endemoninhou. Quase me pega por três vezes. Ontem fiquei na tentativa. O bichinho não tinha mamado, tadinho. Ela correu comigo.. Pensei: pego o carro, quero ver! E o fiz. Fui de carro, passei o laço no bichinho pelo vão da porta e soltei a corda até a beirada da cerca. A berzebu bufava soltando fumaça pelas ventas. Do lado de lá da cerca fui recolhendo a corda. Peguei o danado no colo pensando: 'tá salvo! Que nada. A diaba varou no meio da paraguaia e veio por cima. Caí logo adiante. Fingi de morto enquanto ela sapateava. Um olho em mim outro na cria. Saí correndo de gatinhas e ela atrás. Um custo até varar do outro lado. Tive de deixar mão. É o destino, pensei. Queria salvar mas o cão não quer. Mais tarde minha vó me disse: "na vida a gente não ganha sempre. Todo mundo tem de perder um pouquinho também". Hoje foi um outro inferno. A bruma da madrugada já previa. Depois da lida, de curar outros dois de curso, fui lá. Com vagar e astúcia me aproximei. Agarrei o pafúncio pela pata e arrastei pro outro lado da cerca. Nada. A tinhosa não estava por perto. Suspeitoso eu o levei pra debaixo da gameleira. Fraquinho mas vivo. A alegria me preencheu. Já era finado na minha ideia. Voltei para o pasto da capoeirinha pra repassar a vista nas atrasadas. No longe eu a avistei. Ela vai procurar o filho, atinei. Que nada! Ela veio foi pra cima de mim. Parecia tourada madrilenha. Eu correndo ao redor das moitas e ela fungando nos meus fundilhos. Que apuro! Dei-lhe com a vara nas fuças por duas vezes e de nada adiantou. Meu fôlego acabando e a bicha mastigando meus calcanhares. Corri, corri... Me veio a salvação: me imiscuí no meio da vacada e mergulhei em rolamentos por debaixo da cerca farpada. Do outro lado ainda corri mais. Escondido por detrás duma sucupira velha tirei tempo pra respirar meu medo. E ela vigiando, de lá... Busquei o carro. Joguei o bichão na carroceria... Agora ele está dormindo na sombra do terreiro. Mamou duas mamadeiradas, guloso.. Apliquei uma terramicina pra garantir... Esse eu acho que escapa. Eu também escapei!!! Rssss!!!!
Triste.
Meu
melhor garrote não resistiu à fratura:
amanheceu
morto.
Quebranto!
Tão
lindo ele era
vestindo
o uniforme do Atlético mineiro.
Malhas
grandes de preto sobre o branco aleitado.
A
barbela era um lençol.
Eu
o encontrei todo inchado, beirando o curral.
Deixei
para amanhã a tarefa
de
arrastá-lo para o buraco dos mortos.
Tenho
de buscar logo uma benzedeira.
Nessas
horas quero desistir disso,
quero
voltar pra pradaria de concreto,
quero
deixar minha cordura
para
os humanos..
Ressaca pouca.
O gaiola do Gonga esbirrado no
embarcadouro
abriu meu domingo.
Lá fui eu no pastinho do fundo buscar
a garrotada caraca vendida.
Sina: eles voltarão para os lados do
Piancó.
Eu os vendi para o meu vizinho e amigo
CG.
Apenas vieram passear aqui pelas
bandas do Lajeado.
Foi fácil carregar o gaiola.
A mansidão terna deles misturada
com minha paciência habitual...
O varjão do Rio Grande lhes servirá de
spa até o abate.
Agora o almoço fumega
comigo sentado no rabo do fogão.
Segue a domingueira,
segue a vida pacata desses lados dos
gerais...
Agora os dedos
desesperados do sol
se agarram ao
horizonte.
Foi mesmo um dia
alongado.
Pulei às 5h. Preparei
a tralha,
coloquei minhas
polainas,
cônscio do manejo
necessário que viria..
Quando abri a porta
percebi que o fog
havia engolido minha casa,
meu sítio,
o mundo todo à minha
volta.
Mesmo assim saí.
Meus olhos viam
apenas
alguns palmos na
frente do nariz.
Segui com o
saveirinho peneirando a fumaça.
Navegando na barriga
do nevoeiro..
Lá fui eu para a
barra do Piancó.
Despertei minhas
mocinhas no malheiro.
Fechei, apartei,
apliquei vacinas, troquei os pastos...
...
29 août
Virgínia não
levantou.
Estava prancheada lá
na cabeceira do pastinho.
Ainda mais machucada
que antes..
Descadeirada: havia
me falado o veterinário.
Coisas de vício e
trepação.
Ou de desavenças
entre elas.
A caracada tem um
tino de brigar à toa.
Consertei-lhe a
posição,
coloquei uma
raçãozinha cheirosa
e taquei-lhe água
boca abaixo.
Sem falar na remedieira..
Deixei-a lá..
Com os olhos no
distante.
Fiquei
desesperançoso.
Amanhã saberei se ela
vai escapar,
ou se já estará
ruminando
nas pastagens azuis
do céu das vacas..
28 août
Cheguei na Vertente
da Moeda
a vacada estava toda
na manguinha,
deitadas com as crias
ao lado, mascando chicletes..
Parei um tempo pra
apreciar a lindeza delas..
Tudo calmo, pensei!
Nada:
uma terneirinha
vermelha começou a entoar berros.
Contei duas vezes e
me preocupei.
Faltava uma cabeça.
Lá fui eu pasto acima
atrás do incerto.
No longe avistei a
Virgínia,
uma vaca amarelona,
deitada.
Me acerquei, rodeei.
A cara dela estava
boa, mas nada de levantar.
Levei sua bezerra pra
perto, nada.
Agora estou na
cidade.
Meu amigo Alberto
(veterinário) almoçando
nós iremos lá tentar
alguma cura.
Perplexidades rurais,
sinas...
Com a cantilena habitual fui juntando a caracada lá na barra do Piancó.Precisava curar uma bicheira adiadano pé do rabo de uma novilha moira.Meu amigo Cambuquira me ajudava na façanha.Ajuntado o gado no meio da pastaria eu reparei.Não sou de benzimentos mas parecia que a bicheira estava sarada.Meu amigo ponderou: melhor levarmos no curral.O olhar acurado é definitivo.E assim foi.Lá no tronco constatamos: nada de bichos.Passei um prata e também um larvicida pour-on, pra garantir.Saímos de lá com a noite engolindo o dia.Lidas e vindas,odes rurais!
Pequei pelo olvido.
Estive pelos lados do Piancó nesse princípio de semana.
Percebi uma novilhota caraca com um sinal vermelho na barbela.
Pensei comigo: É nada!
Apenas algum carrapato caído. Ou arranhão em árvore
espinhosa.
Dei por olhado o plantel e voltei pra cidade.
Nem me lembrei mais disso.
Ao voltar por lá, hoje, constatei o estrago feito.
Uma bicheira feia lhe comia parte da barbela.
Grande mesmo de caber a mão.
Reuni o gado, fechei no curralzinho da vargem
e fui ver de perto, no tronco.
A danada não deixava de atarantada que estava.
Coloquei-lhe a formiga nas ventas, amarrei bem e curei.
Unguento, prata e um larvicida pour-on, para garantir.
É isso: um descuido que seja e o leite entorna.
Soltei a bichinha no meio da vacada
e fui despontando pra acurar a conta enquanto apreciava
a subida delas pra cabeceira, em fila,
emagrecidas por essa seca infinda,
por esses dias vulcânicos.
Assinar:
Comentários (Atom)