Antiofídico.
Passada a vista na caracada já ia eu voltando
na direção da devintona quando me deparei
com uma rês prancheada debaixo dum angico.
Fui ver.
Era a Sete Copas.
Eu a imaginei morta. Mas não: estava com a pata dianteira inchada
até os cascos.
Cutuquei e ela levantou.
Fui tocando num vagar de passo até o curral.
Minha cabeça atinava:
- Será cobra?
- Terá enfiado a pata em buraco de tatú?
- Marimbondos?
A cara dela estava boa: não babava nem nada.
Pus no tronco e apliquei o que havia.
Depois soltei pras bandas da lagoa, vigiando.
Ela nada de beber água. O jeito foi voltar à cidade.
Liguei pro meu amigo Alberto e descrevi o quadro.
Nas veterinâncias ele vaticinou: É cobra,
certeza!
E lá fui eu, de novo, pra barra do Piancó.
Repeti tudo igual. Com ela, agora, mais arisca, escoiceando.
Injetei o soro e também um antialérgico.
Soltei na manguinha da macaúba
e me abriu um sorriso generoso:
ela pastava, a danada,
faminta,
às bocadas.
Esperei.
Fiquei vendo aquele milagre um tempo.
Amanhã será um outro dia de lida e penso vê-la melhorada, pacata, altiva,
como no truco.
E que os Santos Reis continuem protegendo o rebanho.
Das cascavéis, das onças, e também da gatunada noturna
amiga do alheio.