quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Cheguei na Vertente da Moeda a vacada estava toda na manguinha, deitadas com as crias ao lado, mascando chicletes.. Parei um tempo pra apreciar a lindeza delas.. Tudo calmo, pensei! Nada: uma terneirinha vermelha começou a entoar berros. Contei duas vezes e me preocupei. Faltava uma cabeça. Lá fui eu pasto acima atrás do incerto. No longe avistei a Virgínia, uma vaca amarelona, deitada. Me acerquei, rodeei. A cara dela estava boa mas nada de levantar. Levei a bezerra pra perto, nada. Agora estou na cidade. Meu amigo Alberto (veterinário) almoçando nós iremos lá tentar alguma cura. Perplexidades rurais, sinas...

Pequei pelo olvido. Estive pelos lados do Piancó nesse princípio de semana. Percebi uma novilhota caraca com um sinal vermelho na barbela. Pensei comigo: É nada! Apenas algum carrapato caído. Ou arranhão em árvore espinhosa. Dei por olhado o plantel e voltei pra cidade. Nem me lembrei mais disso. Ao voltar por lá, hoje, constatei o estrago feito. Uma bicheira feia lhe comia parte da barbela. Grande mesmo de caber a mão. Reuni o gado, fechei no curralzinho da vargem e fui ver de perto, no tronco. A danada não deixava de atarantada que estava. Coloquei-lhe a formiga nas ventas, amarrei bem e curei.Unguento, prata e um larvicida pour-on, para garantir.É isso: um descuido que seja e o leite entorna.Soltei a bichinha no meio da vacada e fui despontando pra acurar a conta enquanto apreciava a subida delas pra cabeceira, em fila,emagrecidas por essa seca infinda,por esses dias vulcânicos.

Nem bem começo a encher o balaio e a vacada vem correndo me rodear. Assim é todos os dias: vou distribuindo balaiadas e mais balaiadas pras minhas mimosas. Elas adoram mascar mangas. Comum, coquinha, sabina. Elas nem se importam muito. Só ficam lá mascando e me olhando com aqueles olhares ternos e distantes. Todas elas menos Shanti, o bezerrinho baio que comprei da minha prima. Ele ainda está arredio na nova morada. Lindo e receoso com aquele seu lençol de barbela. Converso com ele mas nada: olha para os lados, suspeitoso... É preciso vagar com a lida. No dilatado do tempo tudo se encaminha. Dia desses ele aprende a mascar mangas, dia desses ele vira mansinho. Vida rural: horizontes alongados!