«
Cuido de vacas.
O destino quis assim.
Tem vacas impetuosas, arredias,
malvadas..
E outras dóceis, ternas,
mansas no mugido e no olhar.
Fui passar a vista na caracada esta tarde.
De súbito já percebi uma parida.
Acerquei-me com cautela
e a danada bufava,
arrancava terra com os cascos
protegendo a cria.
Olhei os peitos: dois mamados.
Um bezerrão vermelho, sadio.
Pensei: segunda-feira fecho tudo
e curo o umbigo..
Desci beirando a vargem
e percebi uma negrinha se distanciando da manada.
Fui negaceando, seguindo..
Estacou do lado de uma moita alta.
Aproximei-me.
Lá estava, uma terneirinha preta.
Magrinha, coitada.
E nada de mamar.
Os peitões da vaca estavam em riste,
cheios.
Tetões de cabaça.
Mas a ela é mansa então eu levantei a bezerrinha
e fui tocando as duas para o curral.
Levou hora para chegarmos lá.
Uma zambetando,
a outra protegendo.
Fechei no tronco e fui apeitar.
Aos poucos e esquivando dos coices
consegui que a bichinha pegasse um peito.
Que faminta tadinha..
E foi indo ela pegou gosto,
pegou outro...
Foi se ajeitando e encheu a pança.
Soltei pra manguinha.
Saí de lá noite feita.
E assim é:
a vida se renovando debaixo dos meus olhos.
Eu cuidando das vacas
e elas me ensinando filosofias..
Caminhos e vírgulas:
encantamentos.
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O destino quis assim.
Tem vacas impetuosas, arredias,
malvadas..
E outras dóceis, ternas,
mansas no mugido e no olhar.
Fui passar a vista na caracada esta tarde.
De súbito já percebi uma parida.
Acerquei-me com cautela
e a danada bufava,
arrancava terra com os cascos
protegendo a cria.
Olhei os peitos: dois mamados.
Um bezerrão vermelho, sadio.
Pensei: segunda-feira fecho tudo
e curo o umbigo..
Desci beirando a vargem
e percebi uma negrinha se distanciando da manada.
Fui negaceando, seguindo..
Estacou do lado de uma moita alta.
Aproximei-me.
Lá estava, uma terneirinha preta.
Magrinha, coitada.
E nada de mamar.
Os peitões da vaca estavam em riste,
cheios.
Tetões de cabaça.
Mas a ela é mansa então eu levantei a bezerrinha
e fui tocando as duas para o curral.
Levou hora para chegarmos lá.
Uma zambetando,
a outra protegendo.
Fechei no tronco e fui apeitar.
Aos poucos e esquivando dos coices
consegui que a bichinha pegasse um peito.
Que faminta tadinha..
E foi indo ela pegou gosto,
pegou outro...
Foi se ajeitando e encheu a pança.
Soltei pra manguinha.
Saí de lá noite feita.
E assim é:
a vida se renovando debaixo dos meus olhos.
Eu cuidando das vacas
e elas me ensinando filosofias..
Caminhos e vírgulas:
encantamentos.
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