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Minha botina toda molhada com o orvalho
seguia eu vargem acima:
Vem, vem;
vem catoca, vem campeão, vem duquesa...
O sol, cauteloso, começava a clarear a campina
com seus cílios de fogo..
Aos poucos o gado foi saindo do malheiro
e descendo lá pro curralzinho..
Seguiam o alarido do meu chamado
e a berração da vacada desencontrada das crias.
Uma parida, uma com a pata machucada,
outra com baba nas ventas..
Fechei,
apeitei,
curei a pata com astúcia e unguento..
A babação atinei de ser cobra.
Corri na cidade buscar o antiofídico.
Meu amigo Alberto me disse leva
mas passo lá e dou uma olhada antes..
Ele olhou.
Não era nada.
Só brabeza da tinhosa nos fazendo subir nas cercas..
Soltei a danada já era mais de onze.
E lá foi ela cheia de urgências
berrando vereda afora atrás da manada.
Outro dia no meio da caracada,
outro dia engordando o gado com meus olhos.
Vida rural:
horizontes alongados...
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